Angelino - O Anjinho Distraído | Aprendendo a dividir.
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Aprendendo a dividir.

03 maio Aprendendo a dividir.

Segundo o psiquiatra infantil francês Marcel Rufo, com mais de 30 anos de experiência clínica e autor de Irmãos – Para Entender Essa Relação (Editora Nova Fronteira), o nascimento de um irmão quando o mais velho tem entre 3 e 4 anos provoca um inevitável “cataclismo interno”, porque nessa idade a criança está numa fase de mudanças (ida para a escola, por exemplo) e ainda não conseguiu acumular recordações de família suficientes para se sentir segura.

Para grande alívio dos pais – o ciúme, além de normal, pode levar a uma competição sadia que ajuda os dois irmãos a crescer. É difícil, porém, pensar nesse lado positivo quando o mais velho começa a ter dificuldades para dormir, “desaprende” a calçar os sapatos se a mamãe não ajudar ou volta, por exemplo, a usar fralda e a fazer xixi na cama. A pura verdade é a seguinte: mesmo usando toda a psicologia do mundo, dificilmente os pais conseguirão fazer uma criança pequena adorar a idéia de ter um irmãozinho.

E, quando chegar, são imensas as probabilidades de ser recebido com agressividade mais ou menos explícita. Uma criança foi apanhado em flagrante apertando a manta no rosto da irmã recém-nascida “para ela parar de chorar”. Outra foi surpreendida trepada no berço, enfiando os dedos nos olhinhos do bebê. Pedir para os pais devolverem o intruso ou fingir que ele não existe (fazendo, por exemplo, desenhos da família só com “mamãe, papai e eu”) são atitudes bastante comuns.

Mesmo a menina de 3 anos que pegou o irmão no berço e estava prestes a jogá-lo na lata de lixo apenas dava vazão a um naturalíssimo desejo de se livrar da concorrência.

Veja o que os especialistas recomendam para amenizar esse primeiro ano de ciumeira e sufoco:

– Lembrar sempre que o ciúme e a vontade de agredir são naturais e nunca dizer que a criança está sendo má ou fazendo uma coisa feia.

– Esforçar-se para lhe dar a mesma atenção de antes.

– Ter em casa brinquedos novos embrulhados para presentear o mais velho sempre que o outro ganhar um.

– Elogiar os progressos dele para que não fique tentado a se comportar como um bebê.

– Evitar que o caçula use objetos do outro (berço, mamadeiras, carrinho) se perceber que ele não está feliz com a idéia. Menos ainda, forçá-lo a dividir brinquedos.

– Falar e mostrar fotos do tempo em que ele também era bebê.

– Não cair na tentação de deixar o pai dar dedicação total ao mais velho como compensação – só aumentará a sensação de que a mãe não tem mais tempo para ele.

– Mostrar ao ciumento as vantagens de ser mais velho – sabe falar, andar, fazer um monte de coisas sozinho.

– Providenciar brinquedos que permitam à criança dar vazão à agressividade – massinha, material para desenho e um tambor são boas idéias.

– Não exigir silêncio por causa do bebê. Recém-nascidos são capazes de dormir em meio à maior confusão.

 

Nada disso significa, porém, que as crianças vão viver brigando. Mas é bom saber que tal fase de rejeição agressiva – mais comum quando a mais velha tem entre 1 e 3 anos – não passa tão depressa assim.

Os especialistas calculam que leva em torno de um ano e piora por volta dos 4, 5 meses da mais nova – época em que se torna mais “perigosa”, porque já faz gracinhas – e perto do primeiro aniversário – aí, a rival deixou de ser um simples bebê.

Em compensação, se os pais (em especial, a mãe) souberem levar a coisa com jeito, podem transformar cada novidade do caçula numa manifestação de afeto pelo outro tipo “viu só?, o sorriso da Duda era só pra você!”. Dar uns tapas, nem pensar: até porque a criança vai se sentir no direito de também bater no bebê por pura vingança.

 

Fonte: Pediatria em foco/Revista Claudia

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