Arquivo de abril de 2010

A Fase Oral

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Desde o nascimento, o desenvolvimento do bebê não ocorre de uma forma uniforme e regular. Muitas experiências influem na sua formação e são repletas de significado em várias fases da primeira infância.

A primeira fase do desenvolvimento infantil é a fase oral, que ocorre desde o nascimento até os 18 meses, podendo estender-se até os 2 anos em alguns casos. Nela, o bebê desenvolve-se    psiquicamente e nutricionalmente. A boca é a primeira parte do corpo que ele percebe e aprende a controlar, sendo fonte de prazer e redução de tensão. Inicialmente sua necessidade é fome e sede, mas durante a amamentação ele recebe, além do alimento, o afeto transmitido pela mãe. É através da relação mãe-bebê que desenvolvem-se as primeiras percepções. A percepção afetiva é predominante na experiência do recém nascido porque ele começa a desenvolver a capacidade de percepção de seu corpo e do outro.

Chupar, morder, comer e lamber são expressões físicas desta fase e sempre irão ocorrer. O uso da chupeta realmente acalma alguns bebês, mas aos 2 anos pode ser retirada. É importante que essa seja realmente uma fase, pois o uso continuado de tais hábitos pode vir a ser prejudicial levando a criança a adquirir um caráter oral. Isto explicaria uma certa necessidade que algumas pessoas tem de utilizar a boca muito mais que precisam. O sujeito passa a utilizar excessivamente a oralidade, quando observamos, por exemplo, crianças maiores chupando o dedo, adultos que fumam ou comem muito. Tais hábitos podem ser conseqüência de uma fixação na fase oral e trazer prejuízos para o seu desenvolvimento emocional.

Bactérias e Alimentos

sexta-feira, 30 de abril de 2010
Ultimamente, tem-se comentado bastante sobre a contaminação que as bactérias podem causar aos alimentos e ao ser humano. Elas estão presentes em todo o meio ambiente e, inclusive, povoam nosso corpo por dentro e por fora. Cada tipo de bactéria tem seu próprio ambiente. Na região da boca, mucosas das vias aéreas superiores como nariz, boca, garganta e também nos cabelos, estão naturalmente bactérias como Staphylococcus aureus, que produzem toxinas. Nos nossos intestinos, existem bactérias benéficas como lactobacilos, bifidobactérias, bem como outras bactérias causadoras de doenças como Salmonelas, Clostridium Perfringens, entre outras. Enquanto estas bactérias estiverem em equilíbrio numérico, ou seja, as bactérias patogênicas (causadoras de doenças) se encontrarem em menor número que as bactérias benéficas, que ajudam a equilibrar a saúde do intestino, a probabilidade de ocorrer infecção ou intoxicação será pequena.
É importante saber que as bactérias podem se multiplicar muito rápido em condições propícias, como em presença de água e temperatura entre 10°C e 60°C (zona de perigo). Por isso, é útil saber que bactérias patogênicas morrem há temperaturas acima de 60°C, e que praticamente param de se multiplicar abaixo de 0°C. Ou seja, na geladeira os alimentos podem ser conservados por mais tempo, pois perto de 4°C as bactérias se multiplicam com mais lentidão do que na temperatura ambiente, onde se multiplicam muito rápido deteriorando o alimento em pouco tempo. Quanto mais seco o alimento, menos condição as bactérias terão para se reproduzirem.
Salivar sobre alimentos, ou manipulá-los após espirrar, tocar em nariz ou boca, ou ocupar banheiros, sem lavar as mãos em seguida, pode causar transferência de bactérias para a comida. Quanto mais tempo os alimentos contaminados ficarem expostos à temperatura ambiente (zona de temperatura de perigo), a maior chance de multiplicação e contaminação bacteriana estarão sujeitos.
Lembre! Se um alimento já esteve em risco de contaminação, não adianta congelar, pois as bactérias continuam ali. Elas só morrem com alta temperatura!

Compromisso e cuidado

sexta-feira, 30 de abril de 2010
A cada 4 horas, uma criança morre vítima de acidente no Brasil. Os acidentes representam a principal causa de morte de crianças e adolescentes de 1 a 14 anos em nosso País. Apesar de parecer uma ocorrência comum na rotina da criança, o acidente pode sim vir acompanhado de conseqüências graves como o surgimento de seqüelas e até a morte.  E esse perigo pode estar em qualquer lugar: na brincadeira de rua, na hora do banho, dentro da própria casa.
Segundo o Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes (2008), da Organização Mundial de Saúde e Fundo das Nações Unidas, cerca de 830 mil crianças morrem por ano vítimas de acidentes no mundo.
No Brasil, 5.300 crianças morreram e cerca de 140 mil foram hospitalizadas em 2007 (Ministério da Saúde), devido a acidentes como atropelamento, acidente de carro, afogamento, sufocação, queimadura, queda, intoxicação e outros. Para atendimento desses acidentes foram gastos cerca de R$ 63 milhões somente no Sistema Único de Saúde (SUS), em 2005.
A criança está mais exposta aos riscos dos acidentes que os adultos por suas características físicas, emocionais e de desenvolvimento motor. De acordo com a idade, os tipos de acidentes mudam, mas as lesões continuam a ser graves e muitas vezes fatais.
Elas têm o tamanho pequeno, por isso conseguem entrar em pequenos espaços, eletrodomésticos grandes e até atravessar os bancos do veículo em uma freada ou colisão, se estiverem sem cinto ou cadeirinhas de segurança. O centro de gravidade das crianças é mais alto, na altura do peito, por causa do tamanho da cabeça, por isso têm maior tendência a quedas.
De forma geral, a estrutura física é frágil e o crânio ainda não está completamente fechado. As barreiras de proteção normais do corpo proporcionam menor defesa às crianças, em comparação aos adultos. As crianças imitam os adultos, são curiosas e, até os três ou quatro anos, tem a tendência de explorar os ambientes pela boca. Além disso, não têm medo, não reconhecem os perigos e não sabem se livrar de uma situação de risco. Por exemplo, bebês presos entre uma cama e a parede adjacente podem sufocar, porque eles não conseguem erguer-se e retornar à superfície da cama. Da mesma forma, crianças que estão aprendendo a andar e caem de cabeça num balde com água, podem se afogar, porque elas não conseguem voltar a ficar em pé.
Cada um pode fazer a sua parte para proteger as crianças dos riscos. Estudos mostram que 90% dos acidentes podem ser evitados com educação, transformações do meio ambiente, criação e cumprimento das leis.
No Brasil, existe a experiência positiva da ONG CRIANÇA SEGURA que tem como missão promover a prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos. Gradativamente a CRIANÇA SEGURA atinge um maior número de pessoas que se engajam e multiplicam esta causa por todo o país.  Os resultados mostram que é viável mudar a realidade negativa dos acidentes, mas que permanece como desafio fazer desta mensagem uma bandeira de toda a sociedade.

Que tal proibir a infância?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Muitos adultos insistem em acreditar que as crianças de hoje são iguais às de 40, 50 ou 60 anos atrás. Projetam a própria infância em seus filhos e netos e tendem a protegê-los da forma como gostariam de ter sido protegidos no século passado. Mas o mundo mudou muito e as  crianças foram as primeiras a absorver e assimilar a nova realidade. Impossível privá-las hoje do acesso aos meios de comunicação e do estilo de vida moderno, principalmente nos grandes centros. Por isso, projetos de lei que tentam impor um mundo paralelo e irreal para os menores de 12 anos não têm chances de vingar. Porque simplesmente não dá para controlar todas as informações que chegam aos pequenos, mesmo proibindo anúncios, personagens e embalagens coloridas.

Este assunto foi amplamente discutido no final de 2009, durante os 3 dias da Conferência Internacional de Marketing Infantil, em São Paulo. Estavam presentes psicólogos, pediatras, nutricionistas, fabricantes, publicitários, veículos de comunicação e convidados internacionais. O debate só não foi mais completo porque faltou a presença dos que defendem a proibição total e irrestrita da publicidade para crianças, como o deputado Luiz Carlos Hauly, autor do projeto de lei que tramitava na época em Brasília, ou de algum representante do Instituto Alana, apoiador financeiro da ideia. Com os palestrantes de fora, aprendemos que é possível cuidar dos interesses das crianças, sem precisar que o Estado assuma a tutela de forma paternalista. No Canadá, a Associação das Emissoras de TV recusa comerciais que não estejam de acordo com seu código de ética. Nos Estados Unidos e Europa, os meios de comunicação, juntamente com os anunciantes, estabeleceram os parâmetros de comportamento por meio de um pacto.

No Brasil, a conclusão a que chegamos é que não precisamos de nenhuma nova lei protegendo os interesses do público infantil, uma vez que estes já estão cobertos por vários dispositivos legais: o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código de Defesa do Consumidor, em seu capítulo que rege sobre produtos e comunicação voltados ao universo infantil, e o próprio CONAR – Conselho de Autorregulamentação Publicitária, que define os critérios da publicidade para crianças. Precisamos apenas vigiar e combater os excessos, como em qualquer sociedade civilizada.

A publicidade mirim já está suficientemente restrita em nosso país. Não se pode mais, por exemplo, emitir uma mensagem diretamente para o público infantil, nem mostrar crianças em comportamento de adultos, ou em situações de risco ou humilhação, entre outros cuidados. Mas os defensores da proibição total não estão satisfeitos. Alegam que qualquer publicidade é nociva, porque expõe as crianças de baixo  poder aquisitivo a produtos que os pais não podem comprar. Pensando assim, me parece que é a pobreza que deveria ser proibida. Ou então seria melhor decretar o fim da infância para os pobres. Para começar, teríamos que acabar com todos os aparelhos de TV, porque brinquedos e produtos caros aparecem a todo instante durante os programas e não apenas nos comerciais. Internet, então, nem pensar. Passar por vitrines, somente de olhos vendados. E também não poderiam mais brincar com outras crianças, nem frequentar as escolas, lugar onde os colegas podem comentar sobre algum produto “proibidoâ€, que pode despertar desejo, como um novo refrigerante.

Mas uma coisa jamais poderão censurar: a imaginação infantil. Mesmo trancadas em casa, sem acesso a qualquer meio de comunicação, ainda lhes restarão os sonhos. Sonho de crescer, de progredir e de conquistar um lugar no mercado de consumo. E sonhos, ninguém consegue proibir