Arquivo da Categoria ‘Psicologia’

Educação, palmadas e lei.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Não se educa por decretos e nem por leis. As leis existem para organizar o que a sociedade não está conseguindo fazer. Se as leis forem cumpridas e as pessoas educadas, não se precisará punir ninguém… Utopia, eu sei! Mas é possível bem viver sem uma?

O governo está propondo a modificação no artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente, tornando crime dar palmadas com a intenção de educar crianças. Essa medida é, no mínimo, ingênua, posto que já possuímos legislação suficiente para punir pais violentos e educadores que maltratam suas crianças.

Diante de tantos acontecimentos que têm sido propalados pela mídia, outros projetos de lei surgem e  intentam punir com mais rigor, por exemplo, maus-tratos contra idosos e brigas em estádios de futebol. Esse movimento mostra-nos a necessidade do cumprimento das leis e de mais  intervenções educativas. As histórias que nos assolam corroboram a necessidade de medidas sociais mais intensas e mais significativas. Porém, volto a afirmar, educação acontece na tomada de consciência, acompanhada de uma informação que se transforma em conhecimento, à medida que faz sentido para a pessoa. A lei tende a coibir ou a castigar, mas não educa e não forma cidadãos conscientes.

De que estamos precisando, então? De mais ações educativas, de bons exemplos e de boas informações.

Infelizmente, maus-tratos contra crianças têm sido recorrentes e, mais lamentável é que na grande maioria dos casos, essas ações têm como autores os próprios pais dessas crianças ou ainda, professores e colegas nas escolas.

Como fiscalizar o que acontece dentro de um lar? Como organizar as relações no pátio da escola? Como encaminhar relações que se pautem em respeito ao direito de ser do outro?

Muitos desavisados e maus educados pensam que se “torce o pepino†com agressões físicas, ou ainda, com uma forma mais sutil de violência, porém não menos danosa, que são os xingamentos, as ameaças e as intimidações.

Uma criança precisa de bons modelos e de bons encaminhamentos para melhor proceder. Apontar, corrigir e redirecionar a conduta inadequada é tarefa que se espera de um educador.

Proibir não adianta; apenas cerceia e não muda comportamento. É preciso educar! Precisamos de mais programas e campanhas que informem e encaminhem melhores ações. Não tenho dúvidas de que um pai/mãe/padrasto/madrasta que maltrata seu filho necessita ser punido, assim como, colegas e professores que agridem alunos merecem, igualmente, suas punições. Contudo, eles também precisam de novas oportunidades para se formarem bons pais e bons educadores.

Uma das formas de formar é informar e criar oportunidades de vivenciar novas e boas situações.

A família e a escola são parceiras na formação do cidadão e a escola tem tido o privilégio de ocupar o espaço educativo frente às famílias. Muitas escolas e municípios já desenvolvem programas de formação para pais com resultados animadores. Mas ainda não é suficiente! Precisamos ampliar essa oportunidade de refletir, com as famílias, formas de bem proceder com seus filhos. A violência é parceira da ignorância e da falta de melhores oportunidades.

Não podemos fechar os olhos e ignorar o nosso papel social de educadores.

A palmada humilha e a lei castiga o infrator; ambas, portanto, não educam!

Sem cara de saudável.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

junk foodSabe aquelas cenourinhas, uma das poucas opções saudáveis nas redes de fast food? Aquelas que você também encontra nos supermercados, mas em embalagens pouco atraentes? Pois a Crispin Porter + Bogusky está envolvida em uma campanha de USD 25 milhões nos EUA para deixar as tais cenouras com um ar “cool”. Como? Fazendo com que se pareçam com junk food. Ideias para isso incluem embalagens com cara de Doritos, vendas através de vending machines, outdoors irreverentes e comerciais em que as cenourinhas são vistas como algo futurista e até mesmo sexy.

As normas aplicáveis em casos de maus tratos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Maus tratos, como violência física e psicológica, abandono e negligência, representaram no ano de 2009 cerca de 1.113 denúncias perante o Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual a Crianças e Adolescentes – Disque 100. Os autores das agressões podem estar bem mais perto do que se imagina. São pais, padrastos, avós e outros parentes que, as vezes, acabam se excedendo na tentativa de corrigir algum comportamento.

Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o artigo 136 do Código Penal são os responsáveis por prever as penas para tais crimes. Para denunciá-los, há quem defenda que os maus tratos devem ocorrer com habitualidade e outros que acreditam que basta ocorrer uma vez. Contudo, tais normas não são suficientes para coibir as agressões. Isso porque, com freqüência, os fatos não são levados ao conhecimento dos Conselhos Tutelares (são subnotificados).

Assim, o cenário permite que a punição aplicada aos agressores seja leve. Os condenados acabam submetidos a penas alternativas em juizados especiais, como multas ou entregas de cestas básicas.  Se considerado de menor potencial ofensivo, o crime de maus-tratos tem pena de até 2 anos. Mas em casos de lesão corporal seguida de morte, a pena sobe de 4 a 12 anos.

A legislação existente deve ganhar um reforço com o projeto de lei denominado “A Lei da Palmadaâ€, que proíbe beliscões, palmadas e outros castigos físicos a criança. Uma de suas propostas mais interessantes é a de fazer a fiscalização para coibir os abusos dentro de casa. Para tanto, pretende-se capacitar os conselheiros tutelares no intuito de fazer com que as denúncias cheguem até as autoridades competentes. A outra é a própria divulgação da proposta e o debate em torno do conceito de como educar na sociedade atual.

Enquanto a legislação não recebe este reforço, insta frisar que as denúncias a maus tratos podem ser feitas nos Conselhos Tutelares ou no Disque 100, um número nacional que recebe denúncias de violação de direitos das crianças e adolescentes e pode ser acionado em qualquer lugar do Brasil. O acompanhamento das vítimas pode ser feito por intermédio de Centros de Referencia Especializados em Assistência Social (CRAS), bem como por médicos e psicólogos dos hospitais e clínicas da rede pública.

Educação para o consumo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma pesquisa com 600 crianças e adolescentes mostra que a publicidade tem função pedagógica – e prova que a garotada vê comerciais com um inteligente ceticismo.

Educação para o ConsumoA revista Veja publicou os resultados da pesquisa sobre televisão e comportamento realizada pela Turner International do Brasil, responsável pelo canal pago infantil Cartoon Network. A pesquisa recrutou mais de 600 crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos, além de 20 mães de crianças entre 9 e 11 anos, e desmonta preconceitos bem estabelecidos sobre a relação da garotada com a televisão. A ficção conspiratória da criança manipulável, que se deixa conduzir pela “propaganda enganosa”, cai por terra: revelou-se, na verdade, que a meninada desconfia, e muito, das qualidades atribuídas aos brinquedos pela propaganda. “É uma galera mais esperta do que até seus pais imaginam”, diz a publicitária Renata Policicio, coordenadora do levantamento. (mais…)

A propaganda que educa.

domingo, 22 de agosto de 2010

Quem hoje é pai ou mãe deve se lembrar de um comercial de TV, em que crianças tentavam hipnotizar os telespectadores com o mantra “Compre Batom. Compre Batomâ€, a fim de persuadir os adultos a comprar os famosos tubinhos de chocolate.

Um outro comercial ia além na apelação: uma menina mostrava uma tesourinha da turma da Disney e esnobava toda a audiência infantil repetindo a frase provocativa “Eu tenho, você não temâ€.

Embora divertidas, propagandas como essas não têm mais espaço nos veículos de comunicação. Assim como a clássica O Primeiro Sutiã, da Valisère, em que uma pré-adolescente vivia a sua primeira experiência com o acessório íntimo.

A sociedade evoluiu e por isso cresceu a preocupação com o consumo consciente, com a obesidade,  a violência e a sensualidade infantil. Quem controla essa atividade é o CONAR (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) e todo cidadão pode denunciar os possíveis abusos de agências e anunciantes. Mas quem controla os abusos de consumidores e instituições que lutam pela censura e pela proibição total da propaganda para crianças? A própria classe publicitária está dividida. Recentemente, um respeitado publicitário americano chegou a propor uma premiação especial no festival de Cannes para anunciantes que deixarem de anunciar para crianças. A alegação mais defendida é que os pequenos não possuem ainda o discernimento necessário para distinguir o que é bom ou ruim e acabam iludidos pela comunicação, que os estimula a encher o saco dos pais para que comprem produtos supérfluos ou nocivos.

Felizmente, o time do bom-senso ganhou um importante reforço com a recente pesquisa sobre televisão e comportamento, realizada pela Turner International do Brasil com 600 crianças e adolescentes, além de 20 mães, publicada na revista Veja.

A pesquisa derruba o mito da criança manipulável e prova que os filhos são mais espertos do que os pais imaginam. Não só conseguem distinguir a ficção da realidade, como possuem uma visão bastante crítica, duvidando de celebridades e de algumas proclamadas virtudes dos produtos. Mas a conclusão mais valiosa é a de que o intervalo comercial propicia o início de um valioso processo pedagógico, incentivando o diálogo e gerando uma rica interação entre pais e filhos. As crianças hoje pesquisam mais sobre os produtos e recolhem informações e argumentos para negociar com os pais, que, por sua vez, devem fazer a sua parte, contestando exageros, fixando limites e ensinando que os recursos familiares são finitos.

É esse ponto de equilíbrio entre liberdade e responsabilidade que deve pautar a relação entre anunciantes e consumidores, sejam eles mirins ou não. Nos meus trinta e poucos anos de profissão, já vi muitos produtos bons e saudáveis serem vendidos para os pais a pedido das crianças. Assim como já vi muitas marcas desaparecerem do mercado por não sustentarem suas promessas. Caberá sempre aos consumidores julgar. E se depender da propaganda, eles estarão preparados cada vez mais cedo.

Sobre o Tapinha Educativo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Foi assinado pelo presidente Lula um projeto de lei que propõe modificar um artigo do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente ), proibindo o castigo corporal em crianças e adolescentes. No Estatuto já existe um artigo proibindo maus tratos, mas mesmo assim esta prática continua ocorrendo em inúmeras famílias, que muitas vezes alegam utilizarem a palmada como pedagógica e corretiva. Afinal, qual o efeito causado pela palmada? Para a Psicanálise, o trauma é um acontecimento da vida do sujeito que se define pela intensidade e pela incapacidade que este tem de reagir a ele, tendo efeitos duradouros e determinantes na constituição psíquica. Trata-se de um evento inassimilável. Porém, não se pode pensar no desenvolvimento infantil somente através deste fator. O que ocorre, muitas vezes, é que pais com dificuldade de colocar limites verbais para os filhos acabam utilizando-se da agressão física como uma maneira de mostrar a criança que tal atitude dela não é “corretaâ€. Funciona ? Em alguns casos sim. Provoca traumas ? Em alguns casos, sim. A questão principal a ser analisada aparece exatamente na discussão que está havendo sobre o projeto de lei do governo. Transformando a imposição da lei em pergunta: porque se faz necessário que seja criado um artigo dizendo que não pode usar “de força física que resulte em lesão ou dor a criança ou adolescente.“? Não seria o fato de pensar que alguns pais estão precisando de limites na educação de seus filhos? É preciso a intervenção através da legislação para formalizar o veto a punição física? Que as punições que machucam a criança, utilizadas aleatoriamente podem ser prejudiciais é fato. Mas a violência pode ser transmitida para o filho de inúmeras formas, através de palavras agressivas, do desinteresse do casal parental quanto as seus interesses e realizações, do não-dito e pelo modo que é dirigido o afeto. É a fala do adulto que vai marcar e ser determinante, mas esta não aparece só. É carregada de afeto. O trauma nunca é apenas a situação em si, mas o que fica como representação disso. São as falas, ou a ausência delas, que associadas a cena vivida, dão elementos que tocam na imaginação do sujeito. O que ocorre muitas vezes é que as palmadas acabam tornando-se o meio de comunicação dos pais com os filhos, o que é muito perigoso. O resultado mais eficaz a longo prazo é quando os pais conseguem utilizar-se de suas palavras para impor limites aos filhos, explicando causas e conseqüências de seus atos. Crianças até 05 anos necessitam de palavras claras e objetivas. A contenção física nesta faixa etária muitas vezes funciona, mas não é preciso bater. Segurar a criança, olhando nos olhos dela e dizendo poucas palavras com firmeza é suficiente. É claro que esta medida não fará com que o filho “não desobedeça maisâ€, porque a criança é um ser em desenvolvimento, que atuará sempre tentando ultrapassar limites existentes em seu caminho, desafiando os pais e desobedecendo inúmeras vezes. Cabe ao adulto dizer-lhe até onde pode ir. E o bom senso é fundamental.

Salada com talheres comestíveis.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Criançada de férias? Que tal um programinha caseiro? Mesmo sem sair de casa é fácil entreter os pequeninos. Como? Que tal a cozinha? A cozinha pode sim ser lugar para criança! Acompanhada de um adulto é claro! Sozinha nem pensar!

Tenho boas lembranças da infância dos meus filhos, quando ficavam bisbilhotando na cozinha, me pedindo para ajudar enrolar os biscoitinhos de nata. Aquelas mãozinhas pequenas faziam um biscoitinho de cada tamanho, um pouco disforme, mas sempre suspiravam quando eu lhes dirigia um elogio (de mãe coruja, é claro): Ficaram lindos!!! E depois de assados, ver a carinha deles, cheia de satisfação, se deliciando com a obra de suas próprias mãos. Nesta hora eu via que valia a pena a lambança na cozinha e a roupinha toda suja! Quem ligava?

Hoje minha sugestão é a seguinte:

Salada com talheres comestíveisTalheres comestíveis

Para os talheres:

Você vai precisar de massinha de pastel. Aquela que você compra pronta já esticadinha.

Coloque a massa aberta sobre uma bancada. Use um molde (colher de sopa) para recortar a massa. Reforce a parte do cabo colocando mais uma tirinha de massa. Leve para assar por quatro minutinhos e reserve.

Para a salada, use sua criatividade. Minha sugestão é:

• Alface americana rasgadinha em pedacinhos

• Tomatinho cereja

• Manga em cubinhos

• Pepino em tirinhas

• Queijo minas em cubinhos

• Peito de peru defumado em cubinhos

Para o molho:

• Azeite

• Sal

• Limão

• Iogurte natural (2 colheres)

Misture tudo e junte à salada.

É de lamber os beiços e comer os talheres!!!!

Até a próxima!!

Os perigos da Obesidade Infantil.

sexta-feira, 2 de julho de 2010
Crescimento/idade

Meninos

A obesidade infantil ocorre quando o peso está excessivo para idade e altura da criança ou adolescente. Ela está relacionada a um desequilíbrio entre maior quantidade de ingestão calórica e menor gasto energético por um certo período de tempo. Para definir obesidade, o mais correto é calcular o índice de massa corporal (IMC), que é a relação entre o peso e altura, dada pela fórmula ( peso/ altura2). No adulto o IMC normal varia entre 20 e 25kg/m2. Já para crianças e adolescentes, existem gráficos, pois estes valores mudam conforme a faixa etária.

Na grande maioria das vezes, a obesidade infantil é exógena, isto é, causada por fatores ambientais como o sedentarismo e os erros alimentares. Entretanto, a obesidade pode ser

Crescimento/idade

Meninas

uma manifestação clínica de alguma doença. Por isso, sempre que a criança aparentar estar acima do peso, é necessário ir ao pediatra. Este verificará as medidas de peso e altura e fará um inquérito alimentar e de hábitos de vida para tentar identificar causas ambientas para a obesidade. Além disto, como parte da avaliação médica, a criança deverá ser encaminhada ao especialista da área de endocrinologia pediátrica.

A avaliação endocrinológica visa analisar a possibilidade de haver algum distúrbio hormonal, que pode manifestar-se com obesidade. Dentre eles os mais comuns são o hipotireoidismo, a deficiência de hormônio de crescimento e a Síndrome de Cushing, que é o excesso de cortisol. Nestes casos, além do excesso de peso, serão encontrados os sinais clínicos típicos de cada patologia. Algumas síndromes genéticas também podem estar relacionadas à obesidade como: Síndromes de Prader Willi, Down, Bardet-Biedl, e outras mais raras como Alström, Cohen, Carpenter e pseudo-hipoparatireoidismo. Felizmente, estas doenças não são encontradas na maioria dos casos.

As complicações mais observadas na obesidade infantil são as dislipidemias (aumento do colesterol ou dos triglicerídeos), o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial e os problemas ortopédicos. A longo prazo, observa-se, neste grupo de crianças, aumento da prevalência de doenças cárdio-vasculares e mortalidade precoce.

Recentemente tem sido observado um grande aumento de casos de obesidade infantil. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, as crianças do mundo todo estão se tornando cada vez mais vulneráveis à obesidade, e, pelo menos 155 milhões de crianças em idade escolar têm sobrepeso ou obesidade. Dados americanos mostram que nas últimas décadas triplicou número de crianças acima do peso. No Brasil, o excesso de peso já ocorre em até 30~34 % das crianças e adolescentes, dependendo das regiões analisadas.

Estudos clínicos têm demonstrado uma importante relação entre a obesidade e o tempo que as crianças e adolescentes permanecem em frente à “tela†(computador, videogame e televisão). Segundo cálculos estatísticos, mais de 60% da causa do excesso de peso nesta população pode ser atribuída ao excesso de horas assistindo TV. Isto se deve à dois fatores: primeiro o estilo de vida sedentário, segundo, ao fato de que existe uma divulgação excessiva de alimentos e bebidas para crianças. Esta divulgação é predominantemente para alimentos industrializados e de alta densidade clórica e se sobrepõe às recomendações de dietas saudáveis. As crianças assimilam a idéia de que estes alimentos são saborosos e isto causa um efeito deletério no conhecimento, atitude e no comportamento das crianças em relação à comida.

A grande preocupação mundial em relação à obesidade infantil deve-se a possibilidade de que, uma criança obesa torne-se um adulto obeso. Segundo dados epidemiológicos americanos, das crianças que apresentam IMC acima do normal, 94% permanecem com obesidade ou sobrepeso na vida adulta. Outro estudo europeu mostrou que, sinais precoces de aterosclerose em adultos apresentaram relação importante com IMC elevado na infância. Isto acarreta maior risco de mortalidade por doenças cardiovasculares.

Portanto, o melhor é prevenir a obesidade na infância. Para isso, aqui velem algumas recomendações:

• Comer 5 ou mais porções de frutas ou vegetais por dia;

•  Não passar mais do que 2 horas em frente TV, computador e vídeo-game por dia. Não tê-los no quarto da criança;

•  Realizar diariamente pelo menos 1 hora de atividade física;

•  Evitar consumir bebidas doces;

•  Tomar café da manhã diariamente;

• Comer pelos menos 1 das refeições em família;

•  Deixar a criança comer até se satisfazer, nem a mais nem a menos. Não usar alimentos como forma de premiação ou compensação, não proibi-los como forma de castigo.

•  Levar a criança ao pediatra pelo menos 1 vez ao ano para que sejam realizadas medidas seriadas de peso e altura e abordadas as questões relacionadas ao peso.

Referências Bibliográficas:

  1. International Obesity Task Force. Recommendations for an International Code on Marketing of Foods and Non-alcoholic Beverages to Children. March 2008.
  2. Television viewing as a cause of increasing obesity among children in the United States, 1986-1990. Arch Pediatr Adolesc Med. 1996 Apr;150(4):356-62.
  3. A Randomized Trial of the Effects of Reducing Television Viewing and Computer Use on Body Mass Index in Young Children. Arch Pediatr Adolesc Med. 2008;162(3):239-245.
  4. Center for Disease Control and Prevention. JAMA. 2008; 299 (20): 2401-2404
  5. Prevalência de sobrepeso e obesidade em pré-escolares de escolas públicas e privadas em Recife, Pernambuco, Brasil. Cad. Saúde Colet . , Rio de Janeiro , 17 (4) : 989 – 1000, 2009 – 989.
  6. Balaban G, Silva GAP. Prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes de uma escola da rede privada de Recife. J Pediatr 2001;77:96-100.
  7. Prevalência de sobrepeso e obesidade em escolares da cidade de Santos, SP. Arq Bras Endocrinol Metab. vol 50 nº 1 Fevereiro 2006
  8. Relationship of childhood obesity to coronary heart disease risk factors in adulthood: the Bogalusa Heart Study. Pediatrics 2001 Sep; 108(3): 712-8
  9. The contribution of childhood obesity to adult carotid intima-media thickness: the Bogalusa Heart Study. Int J Obes (Lond). 2008 May;32(5):749-56
  10. Childhood Obesity: Highlights of AMA. Expert Commitee Recommendations. American Family Physician. 78, (1)     56-63. 2008.

Agora vou ter de comprar uma cadeirinha?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Eu mal comprei o carro e agora vou ter de comprar uma cadeirinha?

Uma mãe exclamava, indignada, a frase acima, diante de outros pais na saída da escola de seu filho. Ela visivelmente buscava a adesão de outros pais e, talvez, de algumas professoras ali presentes. Fiquei atenta à situação imaginando o que pretendia aquela jovem senhora. Cumprindo com o ritual de entrega das crianças, todos a ignoravam, alguns se entreolhavam rapidamente num claro acordo de não prestar atenção ao que ela dizia, tanto as professoras, quanto os funcionários e pais que naquele momento circulavam no ambiente a desviavam, numa clara mensagem de desacordo, ou no mínimo, de vergonha pela contundente afirmativa.

Não resisti e resolvi manifestar-me. A educadora que vive em mim não me permitiu nem mais um momento de silêncio. Tomei o cuidado de posicionar-me diante dela e procurando ser clara, sem ser agressiva, respondi entre risos e gestos que tentavam amainar a situação. Aproximando-me dela e colocando o braço em seu ombro, disse-lhe:

“Sim, vai ter de comprar uma cadeirinha, aliás, já devia ter comprado quando comprou o carro!â€

“Não acredito que você concorda com esse absurdo!†Disse-me ela, olhando-me como se eu fosse um ser de outro mundo. “Sim, concordo e apoio a iniciativa. Mesmo sem ser obrigatório, tenho, desde que meus netos nasceram,a cadeirinha para transportá-los, pois não aceitaria que algo acontecesse com eles por falta dos cuidados básicos! – exclamei, tentando ser tão entusiasta quanto ela. Ela retrucou num tom de voz mais alto do que ela já estava tendo e olhando para os lados, certificando-se se a estavam ouvindo: “Você sabe quanto custa uma cadeirinha? Eu tenho dois filhos pequenos, além do mais, só vai caber os dois atrás do carro, mais ninguém! Você acha bonito isso?†Nisso, vários pais já estavam olhando-nos e uma professora já estava pronta para intervir. Mesmo assim, continuei tentando fazer com que a conversa ficasse só entre nós duas. Aproximei-me dela e fui falando baixinho contra- argumentando: “Não é bonito e nem barato, mas é seguro! Suas crianças estarão protegidas em caso de acidente. Além do mais, facilita para o motorista que eles estejam fixos no lugar. Você poderia se distrair caso eles estivessem circulando pelo carro.  Não se pode mais pensar em sorte ou azar diante de situações que sabemos, temos como evitar. O acidente o próprio nome já diz, é casual, mas  suas conseqüências podem ser minoradas. As pesquisas têm mostrado isso. “ Repentinamente, ela pegou os dois filhos, um no colo e outro pela mão e foi embora,  pisando firme, certamente, sentindo-se incompreendida.

Que pena que pessoas ainda pensem de forma tão imediata e limitante. Vivemos a era da tecnologia, da informação e do conhecimento e todos esses avanços tem de repercutir em uma forma de viver e conviver com mais dignidade e qualidade.

O conhecimento tem de iluminar as áreas obscuras da ignorância, tomar o lugar do mito e modificar velhas crenças. Quanto sofrimento e dor poderíamos impedir a partir de uma sociedade mais desenvolvida?  De nada adianta essa jovem mãe ter acesso a bens de consumo se ela não tiver educação para bem usufruir desses “bensâ€, se ela não respeitar a faixa de pedestres, as áreas de estacionamento de idosos, enfim…

Uma das responsabilidades dos pais é proteger seus filhos! É preciso estar maduro para bem desenvolver esse papel. Em verdade, a pergunta mais adequada não é quanto custa a cadeirinha, mas quanto ela vale.